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Voltando da casa da irmã da Maggie…

London Bridge

…pego um trem de East Dulwich até London Bridge, de lá o metrô até a Floresta de São João.
Entre caminhadas, trens e esperas gasta-se cerca de uma hora.
Comprei duas latas de Kronenbourg para me acompanhar no trajeto.
No final da noite os trens são menos frequentes.
Para passar o tempo faço um pequeno ensaio fotográfico na plataforma.
A estação de London Bridge é moderna e arrumadinha, os tijolinhos da parede personalizados com o nome da estação em relevo.
De lá são mais 8 estações até St. John’s Wood.
Espero que alguém tenha abandonado um jornal no metrô para eu me entreter.
Caso contrário, é estudar as fotos recém-tiradas ou jogar uma partida de flexis nesse telefone/câmera/videogame que anda comigo.
O trem vem e escancara as portas, eu ainda não tirei a foto que queria.
Se eu estivesse apenas esperando ele ainda não teria chegado.
Ainda estou testando conceitos. Com flash. Sem flash. Comigo e sem migo. Foco na parede azulzinha ou no pseudo-banco com o simbolozinho do Underground?
As pessoas descem não só para atrapalhar a foto, mas para me avisar que o trem já vai sair.
Deixa a arte pra depois, não quero esperar mais 6 minutos.
Tiro mais duas com pressa e entro ao som do apito.
Nada de jornal nos assentos.
A Kronenbourg já acabou.
As propagandas no trem eu já li todas.
Claro que ele vai ficar um tempão parado em Baker Street.
E as fotos nem ficaram boas.

É bom chegar em casa.

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Dado meu recente envolvimento com o mundo ferroviário, vai aí mais um post sobre trens.

JC e Denise refletidos no trem italiano

Domingão de sol na Itália, eu e Denise esperamos mais de 1 hora o trem para Roma. Estavam checando a geometria da linha (o que agora sei que é uma importsntíssima medida!). Para aliviar o enfado da espera, ficamos tirando fotos.

Tiramos fotos andando sobre os trilhos, tiramos fotos com cores trocadas, e tiramos fotos do nosso reflexo na janela do trem que vinha na outra direção (a qual é exibida aqui neste humilde fotolog).

Nas várias tentativas de fazer uma foto boa do nosso reflexo, em certo ponto começamos a acenar para a foto ficar mais divertida. Um pasaageiro do trem acenou de volta para a Denise. Abusadinho, o italiano…

Bom, para fechar, 2 fatos curiosos sobre a ferrovia italiana:
1) Os trens lá tem 2 andares (assim como os onibus no Reino Unido);
2) O equivalente italiano do bordão “mind the gap” é o irritante “Vietato attraversari i binari” (proibido atravessar os trilhos), o qual é solenemente ignorado por 99% dos italianos.

Os trens e a saudade

Estacao de York

Eu gosto de trens, e de toda a atmosfera do mundo ferroviário. Trens carregam consigo grandes doses de sentimento. Uma estaçãoo de trem é palco de emocionantes reencontros e dolorosas despedidas (assim falava a cançåo do Milton). Melhor que um aeroporto, onde há também a tensão de voar. Dessa forma, os trens e a saudade são elementos muito próximos. Muita saudade pode começar ou terminar num trem.

Uma pena que o termo “saudade” tenha sido banalizado pelo colóquio: deveria ser restrito apenas ao sentimento por alguém (ou algo) que não volta mais. Por um tempo que não dá para recuperar. Por uma pessoa que se foi para sempre e é inacessível. A saudade é sombria, e não tem atenuantes.

Se você pode falar com a pessoa querida por telefone ou pelo MSN, você não sente saudade. Sente falta. A falta vem da distância, e aperta o coração. A saudade vem da perda, e dilacera o coração.

A palavra saudade deve ter sido criada na época das grandes navegações, para expressar o sentimento da mãe ou da esposa do explorador que ia para o outro lado do mundo e provavelmente não voltaria jamais. O fado é a música da saudade, do luto. Uma música onde a dor da ausência sangra numa ferida exposta.

Por isso tento restringir o uso da palavra “saudade”. Saudade é de quem morreu, ou de quem mudou tanto que ficou irreconhecível. Podemos sentir saudades de nós mesmos.

Meu avô tembém gostava de trens. Meu avô é uma das únicas pessoas por quem eu posso dizer que sinto saudades.

Portanto, por favor. Saudade, só quando a dor for feia mesmo. Vamos respeitar esse belo vocábulo.

** A foto mostra a estção de York, no norte da Inglaterra, para onde tenho ido de vez em quando a trabalho, num projeto com uma companhia de trens.