Cidade X Cidade: Dubai e o Cairo (as nuances do mundo árabe)

A Barbrinha é nossa nova amiga virtual. Está morando e descobrindo o Egito, e contando suas aventuras (algumas delas engraçadíssimas) no seu blog. A Denise a conheceu através do blog e eu entrei de carona. Depois descobrimos que ela conhece a Ju Picanha e o Neto, que tabalharam com o marido dela. Mundo pequeno.

Enfim. A Bárbara, em sua busca por desvendar os mistérios dessa cultura árabe na qual se inseriu, viu o meu post sobre Dubai e me pediu para fazer uma comparação entre Dubai e o Egito. Vamos a ela.

Burj-al-arab, 5 anos de idade

Dubai: Burj-al-arab, 5 anos de idade

Pirâmides de Gizé, 5.000 anos

Cairo: Pirâmides, 5.000 anos

Semelhanças. Dubai e o Cairo são cidades-chave no que se entende por “mundo árabe”. As duas cidades ficam no Oriente Médio, têm o árabe como língua oficial, tem o clima quente do deserto e a cultura definida pelos hábitos islâmicos. E pára por aí.

De resto, Dubai e o Cairo não poderiam ser mais diferentes, e pudera. O Egito tem 6 mil anos de história para contar. Dubai tem uns 20 e olhe lá. O Egito foi o berço da civilização humana, deu ao mundo a escrita, a primeira religião organizada, a primeira sociedade com castas, e a primeira maravilha do mundo. As pirâmides de Gizé, que até 1889 ainda eram a maior estrutura já erguida pelo homem, podem ser vistas da lua e ninguém sabe ao certo como foram construídas. Depois disso, o Egito entrou em declínio e viveu sob o domínio dos Persas, Romanos, Bizantinos, Árabes, Turcos Otomanos, Franceses, Britânicos, recuperando sua independência apenas depois da II Guerra Mundial.

O Cairo, visto do 16o andar

O Cairo, visto do 16o andar

Dubai não tem nada dessa riqueza histórica. Os Emirados Árabes de hoje eram um protetorado britânico esquecido até os anos 70, e ganharam a independência quando o petróleo começou a ter um papel mais relevante no comércio internacional. Era um deserto, e só. Os petrodólares que entraram na região nos últimos 35 anos é que estão levantando este país de fantasia e megalomania e atraindo gente de todas as culturas e classes sociais. Os Emirados Árabes e a China de hoje são provavelmente as maiores metamorfoses geopolíticas vistas na história. Nunca um país tinha conseguido se alçar do nada à condição de potência tão rapidamente. A estrutura mais alta feita pelo homem não fica mais no Egito – fica nos Emirados Árabes.

Dubai Marina

Dubai Marina

A enorme diferença entre as histórias dos dois lugares ajuda o visitante a entender as diferenças quando os visita. O Cairo, maior cidade do Oriente Médio, deve ser a menos árabe das cidades do “mundo árabe”. Sem dúvida a cultura árabe é a mais forte que existe por lá, mas o Egito não pode negar as heranças culturais recebidas de todos os seus dominadores. É talvez o único país onde o Islã convive com outras religiões – 15% da população é cristã ortodoxa grega. Os preceitos muçulmanos são respeitados, mas por força dos costumes e não por força de lei, como nos países vizinhos. A diversidade cultural do Cairo forçou a convivência de pessoas de culturas diversas durante milênios, e produziu um clima de tolerância não vista em outras sociedades árabes.

Em Dubai existe diversidade cultural e religiosa também, mas por outros motivos. Ao contrário do Cairo, em Dubai quase todo mundo é estrangeiro. As diferentes culturas que se vê lá são aquelas trazidas pelos imigrantes (os europeus da classe média e os indianos da classe baixa), mas não há troca. Os diferentes grupos sociais são isolados entre si e se ignoram solenemente em Dubai.

Olha os caras de turbante a direita da Denise

Dubai: Olha os caras de turbante a direita da Denise!

Olha a moça "assanhadinha" na garupa da vespa!

Cairo: Olha a moça "assanhadinha" na garupa da vespa!

Em suma: o Cairo é uma cidade de verdade, pois está lá a milhares de anos sofrendo a ação dos movimentos da história, com seus habitantes interagindo entre si para criar uma identidade cultural única e peculiar. Dubai é (ainda) um projeto de cidade, sem identidade cultural definida. É claro que com o tempo os grupos de pessoas que vivem em Dubai vão naturalmente se integrar e se misturar criando enfim uma sociedade “típica” emirate. Mas isso ainda vai levar uns bons 50 anos para acontecer.

Conhecer Dubai e o Cairo é ótimo para o turista ocidental que imagina que a palavra “árabe” tem um significado só. Achar que o egípcio é igual ao saudita, o iraniano, o libanês ou o emirate seria o mesmo que imaginar que os ingleses são iguais aos alemães e aos italianos, ou achar que os paulistas são como os baianos e os gaúchos. Vistos de longe, só se enxerga as semelhanças entre esses grupos, mas quando se aproxima as diferenças vão aparecendo.

Pra finalizar: mulher de burca, tem bastante. Nos dois lugares. Mas não são todas. Nos dois lugares. E o importante mesmo é que, ao longo da visita, aprendemos uns com os outros e selamos a paz que deveria permear as relações entre os povos. “Allah” é apenas a tradução árabe da palavra “Deus”, assim como “shokran” significa “obrigado”. E assim a vida vai seguindo.

 Confraternização cultural

Confraternização cultural

Barbrinha querida, espero que isso ajude um pouco na sua descoberta. Beijos!

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Londres

Salto em Picadilly Circus

Salto em Picadilly Circus

Uma pessoa se define por algumas decisões chave que tomou na vida. Uma profissão, um casamento, uma mudança para outra cidade, uma promoção no trabalho. Em cada uma delas vamos desviando nossa vida para aquilo que desejamos que ela seja – ou o que a realidade nos impõe – e passamos a ser as pessoas que somos hoje. Até que mudemos de rota de novo com outra decisão.

No meu caso, quiseram os caminhos da vida que eu viesse passar um tempo aqui em Londres. E lá se foram mais de 3 anos. Quando se tem que tomar uma nova decisão que pode mudar tudo, escrever ajuda a enxergar tudo aquilo que temos e podemos deixar para trás em nome de outra vida que podemos viver no futuro.

Pois então vem aqui um tributo à nossa vidinha em Londres.

Arrumando o apezinho

Arrumando o apezinho

Tem o apartamentinho na Floresta de São João, pequenino mas adorável. Fica pertinho do centro, a uma quadra dos estúdios de Abbey Road onde músicos que mudaram o mundo gravavam suas genialidades.

Dentro do ap tem o sofá, cuja capa nós trocamos na Ikea. Tem a geladeirinha de Stellas, que realiza o sonho de tomar cervejas sempre geladas sem levantar do sofá. Tem a TV onde assistimos a alta qualidade das produções britânicas, e aprendemos a adorar os programas de imóveis, culinária, e reality shows que o pessoal daqui também adora. Tem o XBox, com o Rainbow Six Vegas, o GTA 4, o Fifa, o Halo, para desestressar.

Minha geladeirinha querida

Minha geladeirinha querida

Daí, no final de semana, saímos eu e Denise para uma gostosa caminhada de 1.5km até o Sainsbury’s. Fazer supermercado é um prazer, escolhemos as coisas que gostamos, comparamos preços, experimentamos coisas novas, e damos risadas. Cada compra nos dá pontos no programa de fidelidade do Sainsbury’s. Colocamos tudo no “carrinho da vovó” e na sacolona da Ikea para não usar as sacolas plásticas que agridem o planeta. Pegamos o 187 de volta para casa e guardamos as compras.

Aprendemos a cozinhar, e nos divertimos fazendo almoços e jantares diferentes. Tem o “bacon & egg” da Denise, tem o meu risoto de frutos do mar, teve a moqueca que fizemos para o Eric Feddal (o gaulês), tem os omeletes, tem o Sunday roast. Plantamos manjericão e coentro em casa. Compramos apetrechos novos para a cozinha.

Hamburgão com guaraná

Hamburgão com guaraná

Sunday Roast em casa

Sunday Roast em casa

Tem a nossa pequena DVDteca que aumenta quase a cada semana. A Denise volta do trabalho e compra uns DVDzinhos novos para a gente assistir. Séries de TV americanas e britânicas, filmes daqui, filmes de outros lugares. Devoramos tudo no nosso sofazinho, saboreando nossos quitutes e tomando as cervejinhas da geladeirinha de Stellas.

Tem a nossa turminha, a Débora, o Fabian, a Juliana, o Stuart, o Mark Stanko, o Mark Huckstep, o Roger e a Cláudia lá em Yorkshire. Tem o pessoal que vem visitar – neste ano vieram Xaxá, Fatinha e Felipão, veio o Thiago Reimão, veio o Victor Adura e o Luigi, a Marise e o Gustavo, o George, A Julinha e a Renata, o Felipe Aquilino, o Pinhal, a Maria Helena. Temos o maior prazer em receber – a casa é pequena mas o coração é grande.

JC+D com Mark e Lisa Huckstep

Com Mark e Lisa Huckstep

De, JC, Juliana, Debora, Claudia, Roger

Com Juliana, Debora, Claudia, Roger

Baker Street Station

Baker Street Station

Tem o metrô de Londres, que a gente adora criticar mas que leva a gente pra todos os cantos. Tem o 139, que a gente pega aqui na esquina e passa em quase todos os lugares turísticos. Tem a bicicletinha que a Denise acabou de comprar, e que nós montamos sozinhos aqui em casa. Tem os vôos baratos para tudo quanto é canto da Europa. E bendito seja o Heathrow Express, que leva ao aeroporto em 15 minutos.

Tem a caminhada do Southbank, de Waterloo até a Tower Bridge, com o Founder’s Arms e o Honiman at Hay’s para paradas merecidas no caminho. Tem Covent Garden (Covent Góóden para os locais), com os artistas de rua, os Scottish Pasties e os pubzinhos onde eu me encontro com a turma da Denise depois do trabalho. Tem a Edgware Road, onde vamos comer um kebab sempre que dá vontade. Tem a Finchley Road e a Tottenham Court Road, onde compramos tudo o que precisamos (o que não vende nessas ruas não existe). Tem também o Guanabara, para a gente matar as saudades da terrinha, com música brasileira ao vivo e Brahmas no balcão.

Edgware Road

Edgware Road

Thames South Bank

Thames South Bank

Londres tem brasileiros de todas as origens. Tem indianos, japoneses, chineses, árabes, judeus, franceses, mexicanos, escandinavos, moçambicanos, australianos, italianos, russos, malaios, poloneses, Trinidad&Tobaguenses. Ah, de vez em quando tem uns ingleses também.

Em Londres as pessoas se preocupam com o meio ambiente (como se as atitudes de algumas pessaos nessa ilhazinha fossem salvar o planeta), com a saúde, com a justiça. Em Londres as regras são claras e quase todo mundo as respeita. Em Londres você não precisa reconhecer firma em cartório, e compra a passagem do trem mesmo quando ninguém vai checar.

London Eye + Big Ben

London Eye + Big Ben

E assim é a nossa vidinha. Eu encontro a Denise em qualquer ponto da cidade, e caminhamos durante horas. No caminho paramos para tirar fotos e comprar uma cerveja nas lojinhas de indiano. Chegamos em casa cansados de andar, botamos um camembert para assar e colocamos um DVD novo que compramos, para assistir e dormir, sem antes um de nós dois dizer:

“É boa a nossa vidinha aqui em Londres”.

Foi mal. Ficou meio longo o post. Mas eu queria deixar o registro.

Dubai

Salto nas areias do Golfo Persico, Burj Al-Arab ao fundo

Salto nas areias do Golfo Persico, Burj Al-Arab ao fundo

Da janela do apartmento dos nossos amigos no andar 52 da Millenium Tower, onde nos hospedamos, avistávamos o esplendor futurista da Sheikh Zayed Road cortando Dubai de Leste a Oeste a 1km da praia. O prédio, um dos 10 maiores edifícios residenciais do planeta, tem janelas que não abrem para otimizar o funcionamento do ar condicionado.

Millenium Tower @ Sheikh Zayed Road, Dubai

Millenium Tower @ Sheikh Zayed Road, Dubai

Dubai é uma loucura. Um sonho megalomaníaco que desafia a imaginação de alguém nascido ainda no terceiro quarto do século XX. A metrópole, que nada mais era que um vilarejo com um punhado de beduínos mercadores 15 anos atrás, e que a passo de bala se consolida como a capital do Oriente Médio, se constrói diante dos nossos olhos.

Torres gigantescas – com apartamentos, escritórios, hotéis e shopping centers – pipocam aqui e acolá num piscar de olhos. Ilhas artificiais se erguem do chão oferecendo priais particulares para os mais abastados. Idéias malucas, como o hotel debaixo d’água, o prédio de 170 andares, a torre cujos andares giram independentes, a pista de esqui na neve de verdade no meio do deserto mais quente do mundo, se tornam realidade e viram coisa corriqueira no dia-a-dia do cidadão. Nada parece impossível a este lugar, graças a um objetivo claro, à tolerância religiosa, à tecnologia de ponta, à mão-de-obra barata e aos infinitos dólares do petróleo.

Burj Dubai e seus 160+ andares

Burj Dubai e seus 160+ andares

Cidade em construção

Cidade em construção

Neve no deserto

Neve no deserto

As obras seguem, as gruas se amontoam, mas a locomoção ainda é difícil. As avenidas se alargaram, mas as alças de acesso que as farão se conectar ainda não ficaram prontas. O metrô, de superfície, se levanta ao lado da Sheikh Zayed e já no final desse ano vai levar passageiros de um extremo a outro da cidade em trens sem maquinista, com vagões exclusivos para as mulheres e (outros) para os obreiros indianos. Até lá, o carro é indispensável mesmo para se atravessar a rua.

Além da falta de transporte público, o calor úmido de 45 graus é o outro fator que proíbe as pessoas de ganhar as ruas. Em Dubai você sente uns 10 choques térmicos por dia, cada vez que abre a porta do carro ou de um prédio para o ar escaldante e pegajoso da rua. TODOS os dias faz sol, e imagino que quem nunca saiu daqui poucas vezes tenha visto uma nuvem.

Trecho da orla, sol todo dia

Trecho da orla, sol todo dia

Dubai é exatamente o avesso de Londres. Todos os aspectos da vida aqui são o contrário daqueles na capital da velha bretanha. Garoa intermitente x calor infernal. Longas caminhadas x dependência de carro. Tradição x modernindade audaciosa. Flats apertados x casarões vastos. Regras claras x “o céu é o limite”. Glórias passadas x promessas futuras. Realidade x fantasia.

Dubai tem uma sociedade com castas bem definidas. No topo, os “emiratis”, os habitantes locais donos da riqueza que está tornando realidade esse devaneio fantástico. É fácil indentificá-los pelo orgulho com que desfilam eu seus aventais brancos e turbantes amarrados à cabeça por um anel preto. Na base, hordas de indianos, paquistaneses e filipinos que, fugindo da miséria em seus países de origem, vireram carregar os tijolos e dirigir os táxis para levantar a cidade. Espremidos no meio, os expatriados europeus que entregam sua inteligência aos sheikhs para fazer crescer os prédios e diversificar os negócios, em troca da vida confortável num país sem impostos.

"Emirati" comprando no McDonald's

"Emirati" no McDonald's

Operarios na hora do recreio

Operarios na hora do recreio

Dubai é hoje o que foi Nova Iorque no início do século passado. Um lugar cuja ousadia e riqueza futilizam os superlativos e mostram a tendência para as grandes metrópoles do futuro. Para quem, como eu, vem de outro sonho feliz de cidade, fica a sensação de se estar num parque temático para adultos ricos. Mas talvez eu fosse achar a mesma coisa se tivesse assistido a construção do Empire State Building a 80 anos atrás.

Será que vale a comparação? O futuro dirá? Ou será Dubai já o futuro gritando para nós até que aprendamos a ouvir? Que aceitemos a nova ordem das coisas? Que percebamos que a tal “era da informação” pode já ter passado ou que talvez nem tenha ocorrido? A pujança dessa capital inventada pode ser talvez a grande negação do valor estratégico da “informação”, dada a sua rápida banalização. As economias que capitnearam a tecnologia digital estão em crise, vendo toda a sua riqueza se escorrer pelos dedos para parar nos bolsos dos mesmos sheikhs de sempre, para a construção de seus delírios de concreto. Dubai nos ensina que, novamente, quem está no topo da pirâmide é quem controla os recursos naturais.

POCCNЯ e a conspiração das menininhas

Vira e mexe nos acontecem esses causos que só poderiam acontecer em Londres, e que nos fazem questionar verdades que pareciam arraigadas em nosso passado.

Estávamos eu e Felipe Aquilino no Walkabout em Temple esperando começar a semifinal da Eurocopa entre Espanha e Rússia.De repente chegam 3 caras, se apossam do restante da mesa e começam a conversar numa língua bizarra. “Esses caras devem ser russos”, comentou o Felipe. Eram 2 russos e um ucraniano.

Começamos a conversar com eles, e me lembrei do medo que senti da União Soviética na copa de 1982 (jogada na Espanha, por sinal). Aqueles inimigos carrancudos, todos iguaizinhos, com a camisa vermelha escrito “CCCP” e o goleiro Dasaiev que anulou o ataque-arte do Brasil pela maior parte do jogo. Nunca entendi porque os soviéticos se chamavam “CCCP”, o que não tinha nada a ver com o URSS usado no Brasil ou o USSR do inglês.

Logo depois chega um outro cara com a camiseta do time russo e os dizeres “POCCNЯ” nas costas. Pergunto aos nossos amigos o que quer dizer aquilo, e eles respondem: “Rússia”. Simples assim: “P” = R, “O” = “u”, “C” = “s”, “N” = “i”, e o erre ao contrário “Я” = “a”.

Essa simples passagem me permitiu desvendar o mistério que assolava minha mente por 26 anos!! “CCCP” era, na verdade, “SSSR” no nosso alfabeto (Algo como “Socialistas Soviéticas Somadas* Repúblicas”). Igualzinho!! Simples quando se sabe o código!!

Aí parei para pensar: essa técnica de trocar as letras para escrever em código era muito utilizada pelas garotas que faziam “agenda” durante a minha pré-adolescência…… Será que elas aprenderam a técnica em algum manual russo, ou estudando a lógica bolchevique? Ou seriam elas um exército de agentes russos, disfarçados por trás daquela aura angelical e alienada de menininhas para não levantar suspeitas? Eu bem pensava que os trechos em código das agendas eram sobre os meninos que elas gostavam e etc. Mas bem poderiam ser palavras de ordem e planos da uma conspiração comunista destinada a substituir a ditadura militar por um “politburo” sul-americano.

Bom, escapamos por pouco. De alguma forma a organização subversiva se desmantelou e aqueles agentes cresceram para se tornar mulheres brasileiras adultas, felizes e bem-sucedidas. Talvez, com a derrocada do império Soviético, acabou o dinheiro para financiar a revolução comunista das menininhas. Ou de repente elas eram menininhas mesmo e de fato os códigos eram todos sobre outros menininhos.

Mas se um dia eu botar a mão numa daquelas agendas de 20 anos atrás, ah eu vou pegar o alfabeto russo para desvendar os códigos e tirar a prova!!

Obs:

* “Somadas” é forçação de barra da minha parte. Na verdade a palavra russa que quer dizer “Unidas” começa com S, mas não lembro qual era.

** – A foto eu peguei da internet, no site AP Photo, e foi tirada por Sergey Ponomarev. Clique na foto para ver o site original e mais fotos do cara.

A pequena biblioteca Latino-Americana

Los libros que estoy leyendo

A língua portuguesa pode ser meio inútil num contexto internacional, já que pouca gente aqui fora consegue falá-la. Porém, o brasileiro nasce com a sorte de conseguir um segundo idioma sem maiores esforços – o espanhol. Todo brasileiro já fala portunhol fluente, e para adquirir a correção da língua hispânica não é necessário mais do que alguma atenção e exposição à língua.

Bem tinha razão meu amigo argentino quando, para tirar uma com a minha cara, disse que o português é um dialeto do espanhol. Tive que concordar (Bom, na verdade fiz uma “troca” com ele, obrigando-o a admitir que São Paulo é a capital da América do Sul).

Pois bem, de uns tempos para cá criei o costume de ler livros em espanhol – na maioria escritos por latino-americanos. Gabriel García Marquez é o meu preferido, e “Cem anos de solidão” é uma das mais espetaculares obras literárias com as quais já tive contato. Agora estou terminando “A Casa dos Espíritos” (lembram, daquele filme?), outra saga ruiquíssima, em que Isabel Allende usa a ficção para ajudar a contar um pouco da história do seu Chile.

A técnica é muito simples: basta nao se deixar intimidar pelas palavras desconhecidas. Se você esbarra numa delas (bem comum no começo), tente adivinhar seu significado aproximado através do contexto, ou simplesmente ignore. Essa palavra voltará certamente muitas vezes e a repetição lhe leva a induzir seu significado. Antes do que voce espera você já incorporou as sábanas, espaldas, mejillas e pesadumbres no seu vocabulário.

Acho que essa é a segunda melhor maneira de aprender uma outra língua – depois, é claro, de visitar o país onde ela é falada. Pois o idioma entra em você sem você perceber, e de quebra você já conhece mais sobre a bagagem cultural do país em questão. Foi assim que aprendi inglês, e é assim que estou aprendendo espanhol.

Meus próximos passos são o Francês e o Italiano. Serão mais difíceis, mas não impossíveis. Talvez com um dicionariozinho…

Camembert

O custo de vida na Bretanha é alto, disso todo mundo sabe. Mas viver aqui na porta da Europa tem as suas compensações. Os vários produtos de qualidade vindos do “continente” (é como eles chamam o resto da Europa por aqui) são uma delas.

Salsichas alemãs, cervejas belgas, mostarda dijon, queijos finos, tudo se encontra pelo preço das “equivalentes” Kaisers e Perdigões e Ariscos e Teixeiras do Brasil. Eu e Denise sempre temos uma peça de Camembert pronta para emergências. No Pão de Açúcar uma peça de um bom legítimo Camembert Francês sai por mais R$ 20,00. Aqui, £1.68. Coração de Leão.

Camembert na geladeira

Compramos um recipiente hermético para que o cheiro do Camembert não empesteie a geladeira e deixamos ele lá de prontidão.

Um belo dia, cansados do trabalho, passamos no mercado, compramos uma baguette, assamos o Camembert, cortamos sua “tampa” e devagar apreciamos seu sabor característico, sua textura pastosa, o pão fresquinho. O sabor do velho “continente”, com toda a sua elegância, na informalidade do lar bretão dos brazucas.

Nessas horas, mais cedo ou mais tarde, eu e ela nos olharemos nos olhos e um de nós dirá: “É boa a nossa vidinha aqui no Reino Unido”. Batata.

Volta e meia recebemos visitantes do Brasil por aqui,e saudamo-nos com a deliciosa tradição do Camembert.

Comendo Camembert na visita dos pais

Fica a sugestão: se você não tiver viagem planejada à Europa, gaste os R$ 20, leve um Camembert para casa, deixe-o derreter por 15min no forno e coma com um bom pãozinho francês (de 15 centavos) fatiado. Mmmmmmmmmmm………….

A bientôt

Les choses sont comme ça. Est l’heure de dire au revoir a mon cher ami Eric Feddal. Eric, le Gaulois, est un caractère de beaucoup de posts de cet humble blog, comme “Cambalhota”, “Vai trabalhar Vagabundo”, “Ronda Lunchtime” et “LBS Killer”. Cet Eric que plupart de mes lecteurs connaît pour les textes, et les plus chanceux ont ayant l’honneur de rencontrer personellement. La bonne nouvelle est que le gaulois est de s’aventurer en Singapour, en l’âutre côte du monde.


As facções de amigos JC e Eric dando uma cambalhota

Mais le monde enchanté de JC peux pas d’avoir moments tristes. Je suis joyeux pour Eric, bien que je n’avrai pas mais la chance de tuer de Mexicans en videojeux à les Vendredis, de prendre une bière avec lui à le Windsor Castle quand je veux, ou de manger las marveilleuses creations culinnaires de sa femme Emilie. Je suis hereux qu’il va être enfin reconnu dans le travail, qu’il va donner une autre phase inoubliable a ses deux enfants, et qu’il va avoir une chambre de visiteurs pour les vieux amis.

JC e Eric Feddal armados e perigosos Vai trabalhar vagabundo Eric e Denise Eric no urinol publico - Amsterdam

Qui connaît cet humble écrivain (moi) sait que mes amis sont seulement des peu – mais ils sont etternelles. JC a dejà vu ses amis partir pour villes comme Campinas, Porto Alegre ou New York, et c’est naturelle que, maintenant que je vis en terres étrangéres, mes amis von a vivre plus loin, comme en le cas de Eric.

Alors, ne me manquez pas un ami ici: j’ai gagné un ami en une de les tigres asiatiques!

Formature LBS Eric e Emilie Feddal - formatura Eric e Emilie Feddal - virada do ano 2008 Mojito - Farewell party

Mon cher Eric, merci por toutes les bons et le mauvais moments que nous avons passé ensamble. Bientôt je vais le rendre visite. Et, comme je parle a un bon gaulois, tout ce que je peux vouloir pour toi est que “le ciel ne tombe pas sur ta tête”!

(Não entendeu nada porque não fala francês ou porque o meu francês é macarrônico demais?? Em breve a tradução, não percam…)