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Rogério Santos – parte 2

Perdido entre os meus posts antigos estava lá uma homenagem a Rogério Santos, em Abril de 2006. E as coisas que disse lá sobre ele continuam valendo, mas em se trantando de Rogério, em 2 anos tanta coisa acontece que achei uma boa idéia “atualizar” a homenagem.

Denise Neves)

Rogério Santos discursando na sala do Paraíso (Foto: Denise Neves)

Nos últimos 2 anos o Rogério se transformou de bancário em filósofo. Trocou de emprego, entrou na faculdade de filosofia, virou um dos melhores alunos da classe, tem andado com todos aqueles loucos, destrinchando textos complexos dos maiores pensadores da humanidade. E começou a escrever um fotolog pra lá de interessante, onde fala de servidão voluntária, dilemas morais de Nietzsche, letras do Cazuza, religião, a resposta de Kant a Hume sobre a relação de causalidade, filmes europeus, o fim da filosofia, essas coisas. Confesso que muitas vezes não entendo direito o que ele quer dizer com seus textos filosóficos, mas a sensação de estar em contato com os pensamentos que trafegam por essa mente iluminada traz um conforto muito grande.

O Rogério veio me visitar aqui em 2006 mas não em 2007 – preferiu ir ao Nepal para chegar mais perto de sabe lá que respostas esteja procurando para sabe lá que perguntas. Mas tudo bem. Sempre que tenho a chance de ir ao Brasil ele é uma das primeiras e uma das últimas pessoas que vejo. E, daqui da Bretanha, mantemos um contato quase que diário por e-mail, pelo telefoninho VoIP ou pelas partidas de xadrez.

Rogério e JC

Rogério e JC

Escrevendo isso percebo que minha amizade com o Rogério está para fazer 9 anos. Mas já o conheço há uns vinte – ele era cloega de classe da minha irmã em 1987 e dançou a valsa na festa de 15 anos dela. Se soubesse que iríamos ficar tão próximos teria conversado mais com ele naquele dia – mas ele não iria me dar bola mesmo, já que eu era nada mais que um “pirralho” da 7a serie para ele naqueles tempos.

Antes de fechar, quero agradecer ao Rogério pela ajuda fundamental que ele está me dando nesse período difícil e decisivo pelo qual estou terminando de passar.

Abraços para você! Parabens pela sua conquista! E mostra pra eles!

AAhhhh – só um PS aqui. Na homenagem inicial conto a história do aniversário da namorada do Michael em Buenos Aires, em que eu chamei erroneamente a menina de Cecília graças a uma dica maliciosa do Rogério. Pois veja você: em Dubai, o nosso anfitrião André é colega de infância do Michael, e me perguntou “Você tem falado com ele? Sabe se ele já se casou com a Ciça?”. E eu penso: “Ciça? Cecília? Será que eu estava certo naquela ocasião? Ou sera que o Rogério ali, em Buenos Aires no ano 2000, já estava usando seus dotes mediúnicos para antecipar o nome da futura cara-metade do Michael?”

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Londres

Salto em Picadilly Circus

Salto em Picadilly Circus

Uma pessoa se define por algumas decisões chave que tomou na vida. Uma profissão, um casamento, uma mudança para outra cidade, uma promoção no trabalho. Em cada uma delas vamos desviando nossa vida para aquilo que desejamos que ela seja – ou o que a realidade nos impõe – e passamos a ser as pessoas que somos hoje. Até que mudemos de rota de novo com outra decisão.

No meu caso, quiseram os caminhos da vida que eu viesse passar um tempo aqui em Londres. E lá se foram mais de 3 anos. Quando se tem que tomar uma nova decisão que pode mudar tudo, escrever ajuda a enxergar tudo aquilo que temos e podemos deixar para trás em nome de outra vida que podemos viver no futuro.

Pois então vem aqui um tributo à nossa vidinha em Londres.

Arrumando o apezinho

Arrumando o apezinho

Tem o apartamentinho na Floresta de São João, pequenino mas adorável. Fica pertinho do centro, a uma quadra dos estúdios de Abbey Road onde músicos que mudaram o mundo gravavam suas genialidades.

Dentro do ap tem o sofá, cuja capa nós trocamos na Ikea. Tem a geladeirinha de Stellas, que realiza o sonho de tomar cervejas sempre geladas sem levantar do sofá. Tem a TV onde assistimos a alta qualidade das produções britânicas, e aprendemos a adorar os programas de imóveis, culinária, e reality shows que o pessoal daqui também adora. Tem o XBox, com o Rainbow Six Vegas, o GTA 4, o Fifa, o Halo, para desestressar.

Minha geladeirinha querida

Minha geladeirinha querida

Daí, no final de semana, saímos eu e Denise para uma gostosa caminhada de 1.5km até o Sainsbury’s. Fazer supermercado é um prazer, escolhemos as coisas que gostamos, comparamos preços, experimentamos coisas novas, e damos risadas. Cada compra nos dá pontos no programa de fidelidade do Sainsbury’s. Colocamos tudo no “carrinho da vovó” e na sacolona da Ikea para não usar as sacolas plásticas que agridem o planeta. Pegamos o 187 de volta para casa e guardamos as compras.

Aprendemos a cozinhar, e nos divertimos fazendo almoços e jantares diferentes. Tem o “bacon & egg” da Denise, tem o meu risoto de frutos do mar, teve a moqueca que fizemos para o Eric Feddal (o gaulês), tem os omeletes, tem o Sunday roast. Plantamos manjericão e coentro em casa. Compramos apetrechos novos para a cozinha.

Hamburgão com guaraná

Hamburgão com guaraná

Sunday Roast em casa

Sunday Roast em casa

Tem a nossa pequena DVDteca que aumenta quase a cada semana. A Denise volta do trabalho e compra uns DVDzinhos novos para a gente assistir. Séries de TV americanas e britânicas, filmes daqui, filmes de outros lugares. Devoramos tudo no nosso sofazinho, saboreando nossos quitutes e tomando as cervejinhas da geladeirinha de Stellas.

Tem a nossa turminha, a Débora, o Fabian, a Juliana, o Stuart, o Mark Stanko, o Mark Huckstep, o Roger e a Cláudia lá em Yorkshire. Tem o pessoal que vem visitar – neste ano vieram Xaxá, Fatinha e Felipão, veio o Thiago Reimão, veio o Victor Adura e o Luigi, a Marise e o Gustavo, o George, A Julinha e a Renata, o Felipe Aquilino, o Pinhal, a Maria Helena. Temos o maior prazer em receber – a casa é pequena mas o coração é grande.

JC+D com Mark e Lisa Huckstep

Com Mark e Lisa Huckstep

De, JC, Juliana, Debora, Claudia, Roger

Com Juliana, Debora, Claudia, Roger

Baker Street Station

Baker Street Station

Tem o metrô de Londres, que a gente adora criticar mas que leva a gente pra todos os cantos. Tem o 139, que a gente pega aqui na esquina e passa em quase todos os lugares turísticos. Tem a bicicletinha que a Denise acabou de comprar, e que nós montamos sozinhos aqui em casa. Tem os vôos baratos para tudo quanto é canto da Europa. E bendito seja o Heathrow Express, que leva ao aeroporto em 15 minutos.

Tem a caminhada do Southbank, de Waterloo até a Tower Bridge, com o Founder’s Arms e o Honiman at Hay’s para paradas merecidas no caminho. Tem Covent Garden (Covent Góóden para os locais), com os artistas de rua, os Scottish Pasties e os pubzinhos onde eu me encontro com a turma da Denise depois do trabalho. Tem a Edgware Road, onde vamos comer um kebab sempre que dá vontade. Tem a Finchley Road e a Tottenham Court Road, onde compramos tudo o que precisamos (o que não vende nessas ruas não existe). Tem também o Guanabara, para a gente matar as saudades da terrinha, com música brasileira ao vivo e Brahmas no balcão.

Edgware Road

Edgware Road

Thames South Bank

Thames South Bank

Londres tem brasileiros de todas as origens. Tem indianos, japoneses, chineses, árabes, judeus, franceses, mexicanos, escandinavos, moçambicanos, australianos, italianos, russos, malaios, poloneses, Trinidad&Tobaguenses. Ah, de vez em quando tem uns ingleses também.

Em Londres as pessoas se preocupam com o meio ambiente (como se as atitudes de algumas pessaos nessa ilhazinha fossem salvar o planeta), com a saúde, com a justiça. Em Londres as regras são claras e quase todo mundo as respeita. Em Londres você não precisa reconhecer firma em cartório, e compra a passagem do trem mesmo quando ninguém vai checar.

London Eye + Big Ben

London Eye + Big Ben

E assim é a nossa vidinha. Eu encontro a Denise em qualquer ponto da cidade, e caminhamos durante horas. No caminho paramos para tirar fotos e comprar uma cerveja nas lojinhas de indiano. Chegamos em casa cansados de andar, botamos um camembert para assar e colocamos um DVD novo que compramos, para assistir e dormir, sem antes um de nós dois dizer:

“É boa a nossa vidinha aqui em Londres”.

Foi mal. Ficou meio longo o post. Mas eu queria deixar o registro.

POCCNЯ e a conspiração das menininhas

Vira e mexe nos acontecem esses causos que só poderiam acontecer em Londres, e que nos fazem questionar verdades que pareciam arraigadas em nosso passado.

Estávamos eu e Felipe Aquilino no Walkabout em Temple esperando começar a semifinal da Eurocopa entre Espanha e Rússia.De repente chegam 3 caras, se apossam do restante da mesa e começam a conversar numa língua bizarra. “Esses caras devem ser russos”, comentou o Felipe. Eram 2 russos e um ucraniano.

Começamos a conversar com eles, e me lembrei do medo que senti da União Soviética na copa de 1982 (jogada na Espanha, por sinal). Aqueles inimigos carrancudos, todos iguaizinhos, com a camisa vermelha escrito “CCCP” e o goleiro Dasaiev que anulou o ataque-arte do Brasil pela maior parte do jogo. Nunca entendi porque os soviéticos se chamavam “CCCP”, o que não tinha nada a ver com o URSS usado no Brasil ou o USSR do inglês.

Logo depois chega um outro cara com a camiseta do time russo e os dizeres “POCCNЯ” nas costas. Pergunto aos nossos amigos o que quer dizer aquilo, e eles respondem: “Rússia”. Simples assim: “P” = R, “O” = “u”, “C” = “s”, “N” = “i”, e o erre ao contrário “Я” = “a”.

Essa simples passagem me permitiu desvendar o mistério que assolava minha mente por 26 anos!! “CCCP” era, na verdade, “SSSR” no nosso alfabeto (Algo como “Socialistas Soviéticas Somadas* Repúblicas”). Igualzinho!! Simples quando se sabe o código!!

Aí parei para pensar: essa técnica de trocar as letras para escrever em código era muito utilizada pelas garotas que faziam “agenda” durante a minha pré-adolescência…… Será que elas aprenderam a técnica em algum manual russo, ou estudando a lógica bolchevique? Ou seriam elas um exército de agentes russos, disfarçados por trás daquela aura angelical e alienada de menininhas para não levantar suspeitas? Eu bem pensava que os trechos em código das agendas eram sobre os meninos que elas gostavam e etc. Mas bem poderiam ser palavras de ordem e planos da uma conspiração comunista destinada a substituir a ditadura militar por um “politburo” sul-americano.

Bom, escapamos por pouco. De alguma forma a organização subversiva se desmantelou e aqueles agentes cresceram para se tornar mulheres brasileiras adultas, felizes e bem-sucedidas. Talvez, com a derrocada do império Soviético, acabou o dinheiro para financiar a revolução comunista das menininhas. Ou de repente elas eram menininhas mesmo e de fato os códigos eram todos sobre outros menininhos.

Mas se um dia eu botar a mão numa daquelas agendas de 20 anos atrás, ah eu vou pegar o alfabeto russo para desvendar os códigos e tirar a prova!!

Obs:

* “Somadas” é forçação de barra da minha parte. Na verdade a palavra russa que quer dizer “Unidas” começa com S, mas não lembro qual era.

** – A foto eu peguei da internet, no site AP Photo, e foi tirada por Sergey Ponomarev. Clique na foto para ver o site original e mais fotos do cara.

Manjericão

Comer bem a preços justos em Londres é um desafio. A cadeia de valor que leva os alimentos do produtor até o prato é pesada. Chefs renomados, aluguéis estratosféricos e garçons-artistas tornam proibitivo o costume de comer em restaurantes. A comida “semi-pronta” do supermercado também traz o custo de processamento e overheads do supermercado.

Não tem jeito: tem que aprender a cozinhar. Quer uma lasanha à bolonhesa? Nada de ir em trattorias, nem apelar para a lasanha de microondas do supermercado: compre a massa e os tomates, moa a carne, pesquise como preparar uma lasanha, e voilà! Só assim se come bem gastando-se pouco (depois de algumas tentativas, pelo menos).

Quanto mais “crus” e menos processados os ingredientes, maior parte do valor é você que adiciona ao prato e tira dos intermediários. Sendo assim, o ultimate saving é você cultivar sua própria comida.

Confesso que quando compramos as sementes de manjericão e o “Miracle-Gro” (uma terrinha vitaminada), eu estava bem cético. Afinal, tirando a experiência de escola de plantar um feijão no algodão molhado, eu nunca tinha conseguido fazer uma semente crescer na terra (e olha que já tentei…)

Manjeriquinhos em 5 de abril de 2008

Mas não é que a coisa brotou mesmo?? Em menos de uma semana já começaram a aparecer os primeiros manjeriquinhos aventureiros saindo da terra à procura do sol. Logo era uma multidão de manjeriquinhos disputando o pequeno espaço do vaso.

Algumas semanas depois, nossos manjericos já tinham múltiplas folhas e começavam a exalar aquele aroma gostoso. Hoje, feriadão aqui na Bretanha, fui dar uma olhada no manjericão e fiquei orgulhoso. A planta já está vistosa e perfuma a cozinha. Em breve acho que já vamos poder fazer o nosso primeiro molho de macarrão com os nossos manjericões!!

Manjericao em 26 de maio de 2008A empolgação é tanta que este sábado já compramos sementes de coentro e colocamos num outro vaso. Também temos umas sementes de maçã plantadas (essas fizem que é mais difícil “pegar”, mas estamos esperançosos). Um amigo nosso planta morangos e tomates, estamos tentados. Afinal, ainda temos um monte de miracle-gro sobrando… Qualquer dia desses vamos ter uma verdadeira mini-horta aqui no nosso mini-apartmento.

O próximo passo é ter o nosso próprio quintal e criar nossas galinhas, porcos e carneiros!! A independência total do sistema de distribuição que arrocha o consumidor. A subsistência completa, no coração de uma das capitais do mundo desenvolvido!

Utopia?? Fantasia?? Insanidade??

Claro que sim….

A Contracapa

Como bom beatlemaníaco eu tenho a sorte de morar a uma quadra dos estúdios de Abbey Road, onde eles gravaram a maior parte de sua obra e em frente ao qual foi tirada a foto de uma das capas mais históricas do rock n’ roll. Gente do mundo inteiro vem ver o estúdio, escrever na mureta e tirar a foto como se fossem os beatles atravessando a rua.

Abaixo, uma pequena galeria dos nossos amigos que já posaram na histórica passarela:

Original com os Beatles Aloy Pessoal de Forest Gate Sandra, Maria, Bruno
Danca do Siri Cotta e Fred Heimbeck Cotta e Maestro Iscagliusi Cotta @ Abbey Road

Bom, mas isso não é novidade para a maioria dos leitores deste blog. O interessante é que nesse final de semana consegui recriar a contra-capa do famoso álbum.

A contracapa mostra o nome “Abbey Road” com letrinhas de ladrilho, como era comum aqui na zona norte de Londres antigamente. Cada letra é um tijolinho, e os nomes das ruas são soletrados como se fosse um linotipo. A letra “N” que aparece depois do nome da rua é o início do CEP (NW8, no caso), que foi espertamente coberto por um transeunte.

O problema é que esses ladrilhos com o nome da rua praticamente não existem mais. Foram trocados por placas brancas, provavelmente mais baratas, de mais fácil leitura e manutenção. Achei que nunca ia conseguir ver um dos “Abbey Road” originais escritos com louça como aparece no disco.

Mas é aí que Londres fica interessante. O novo nunca substitui o velho por completo, e se você olhar atento sempre encontra resquícios da herança histórica da cidade. Outra sorte é que a Abbey Road é uma rua bem longa. Pois bem, fomos encontrar na outra extremidade da Rua da Abadia uma plaquinha de ladrilho intacta, e com o CEP e tudo.

Boa notícia para os beatlemaníacos de plantão nas suas próximas visitas ao mundo encantado de JC!!

Genesis

Palco

Tem vezes que a gente nao posta porque nao esta acontecendo nada… Tem vezes que a gente nao posta porque estao acontecendo coisas demais.

Por exemplo: “Turn it On Again”, Show do Genesis, 08.07.07, em Twickenham. Aquele pelo qual eu e Felipao esperamos 15 anos.

Tenho que ir… Abracos!

Acabou o MBA

Foto © Denise Neves, 06.07.07