O atleta olímpico e a abelhinha operária

Começaram os jogos de Pequim. 11 mil atletas disputando 38 modalidades para ganhar um total de 906 medalhas. Os jogos simbolizam a busca do homem pela superação de seus limites. E no processo alguns seres “notáveis” podem aparecer, como foi o caso do Michael Phelps na piscina ontem.

E nessas horas me pergunto até que ponto é legítimo o sonho olímpico. Tirando esses atletas brilhantes que fazem história, será que vale a pena uma pessoa dedicar sua vida a treinar uma modalidade que ninguém conhece, ser testado num momento efêmero, perder por um centésimo de segundo e ser para sempre esquecido?

Michael Phelps, depois de bater o recorde mundial por mais de 1s

Michael Phelps, depois de bater o recorde mundial por mais de 1s

Para que apareça um Michael Phelps numa olimpíada, alguns milhões de atletas têm que ficar no caminho. A maioria não se qualifica sequer para ir aos jogos. Dos que têm a honra de chegar a disputar em Pequim (11 mil atletas), menos de 1% vai realmente fazer alguma diferença na história do esporte. O que existe então para toda essa multidão de esportistas derrotados?

Fica a lição da vontade, quase instintiva, do ser humano de ser o “escolhido”. A humanidade precisa dos seres iluminados para avançar. E a realidade é essa para todos nós. Para que exista um Albert Einstein, um Paul McCartney, um Dalai Lama, um Van Gogh, um Bill Gates, um Mao Tse-Tung, um Pelé, é preciso que milhares, milhões de outras pessoas tentem sê-las e falhem. Os perdedores criam as comunidades que vão cultivar os vencedores, e criam o clima de competição que os motivará a dar o passo além.

Estará ali o próximo brasileiro histórico?

Estará ali o próximo brasileiro histórico?

Sendo assim, perguntar se vale a pena um atleta treinar a vida inteira para perder nas olimpíadas é o mesmo que perguntar se vale a pena eu, você e todos que você conhece estarmos vivos. Porque, assim como os 10.998 atletas que serão esquecidos em Pequim, todos nós as somos tentativas frustradas de Deus de criar um ser capaz de alterar a história da raça humana. As olimpíadas valem a pena assim como a vida vale a pena.

Pois eu já me conformei que não vou mudar o mundo. Nada do que eu faça pode ser tão bom ou tão ruim a ponto de alterar o curso da história. Assim para mim, junto com todos os outros 99.9999999% das pessoas, abelhinhas operárias, pequenos heróis do dia-a-dia, o negócio é relaxar e ser feliz. Ser importante para as pessoas que me são caras, viver em paz comigo mesmo, me esforçar para fazer o melhor que posso e dar o exemplo, assim ajudando a construir uma sociedade que – oxalá – será propícia para trazer o próximo ser iluminado ao mundo. Nós brasileiros somos melhores nisso do que achamos que somos. Nossos ídolos notáveis são uma criação de todos nós – daí a torcida que ficamos num evento como a olimpíada. E, aos trancos e barrancos, devagarzinho estamos chegando lá.

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11 Respostas para “O atleta olímpico e a abelhinha operária

  1. É como disse o Seinfeld certa vez.

    O cara cruzou a linha de chegada com uma vantagem de 0,005 cm de diferença do segundo colocado.

    Virou o cara mais famoso do mundo. O segundo ninguém nunca ouviu falar.

  2. As vezes fico me perguntando, O Brasil sempre se orgulha de levar uma delegação maior do que na Olimpíada anterior, porém e a quantidade de medalhas ? Quantidade é diferente de Qualidade, por exemplo, a natação brasileira pode até ganhar uma medalha, mas foi a Pequim para passeio, falta preparo com Qualidade, vide os casos do Judô, da Ginástica Olímpica , do Volei , da Vela, existe uma preparação com qualidade isso é o que importa. Eu já participei de alguns jogos entre Faculdades e fui só para participar, era legal, pensar que muitos queriam estar no meu lugar, mas após os jogos fica aquele sentimento de frustração do tipo, valeu a pena ? Pra alguns sim pra outros não… é mais um mistério da vida.

  3. E se, na verdade, fomos criados para sermos operários mesmo? E se esse 1% que se destaca, na verdade, for um programa mal codificado da matrix?????? ESTAMOS TODOS NA MATRIX!!!! Rogério, por favor, manifeste-se sobre esse assunto!!!

  4. Posso encomendar um post para amanha??? Quero que voce escreva sobre o espermatozóide olímpico!!!! Obrigada!!!

  5. Tenho 3 comentários. O primeiro é que realmente somos educados para sermos abelhinhas. Se olharmos em volta todas as nossas “escolhas” são direcionadas para isso. Fazemos uma faculdade para trabalhar para alguém, elegemos alguém para cuidar de nós, lemos o jornal que alguém escreveu e por aí vai. A segunda é que, infelizmente, a olimpíada concede os famosos “5 minutos de fama” a pessoas que comprometeram toda uma vida ao esporte. Anônimos ou não, já são heróis. Alguns ganham medalhas. Esses são os que aparecem na mídia por cinco minutos. Um exemplo? Por qual modalidade e em qual olimpíada Joaquim Cruz ganhou medalha de ouro? O terceiro comentário é que eu não me contento em ser abelhinha. Ainda pretendo transformar o mundo.

  6. Joaquim Cruz – 800 metros rasos, Los Angeles, 1984. Me lembro como se fosse hoje – estavamos num restaurante e eu fiz o cara ligar a televisao na prova dos 800m (tinha alguma outra coisa tipo futebol passando).

  7. “Assim para mim, junto com todos os outros 99.9999999% das pessoas, abelhinhas operárias, pequenos heróis do dia-a-dia, o negócio é relaxar e ser feliz. Ser importante para as pessoas que me são caras, viver em paz comigo mesmo, me esforçar para fazer o melhor que posso e dar o exemplo, assim ajudando a construir uma sociedade que – oxalá – será propícia para trazer o próximo ser iluminado ao mundo. Nós brasileiros somos melhores nisso do que achamos que somos. Nossos ídolos notáveis são uma criação de todos nós – daí a torcida que ficamos num evento como a olimpíada. E, aos trancos e barrancos, devagarzinho estamos chegando lá.”

    E vc acha que com tudo isso, vc nao pode mudar o mundo??????? Claro que sim, ja esta entrando na historia….

    Abracos

  8. Pois é… digamos que eu me contento em mudar o curso da vida de quem está ao redor de mim. É o bom e velho trocadilho de que “você pode ser só alguém no mundo, mas com certeza é o mundo de alguém” – ou algo parecido.

    Acho que esse post merece uma reflexão a mais… e no próximo fim de semana, vou assitir de novo “A Corrente do Bem”.

    PS: Eu também lembro da medalha do Joaquim Cruz. Como também lembro do Ben Johnson… olhando por esse ângulo, Carl Lewis fez bem em ser o cara que chegou em segundo – ninguem sabe quando pode aparecer um desse na sua corrida.

  9. Olha .. por favor vocês podem parar de falar besteiras? obrigado

  10. Oi… vocês podem parar de falar besteiras?
    se fizerem isso desde já agradeço

  11. oii pessoal …
    tudo bem com vcs?
    e eles ñ falam besteiras tá patricinhas?

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