Dubai

Salto nas areias do Golfo Persico, Burj Al-Arab ao fundo

Salto nas areias do Golfo Persico, Burj Al-Arab ao fundo

Da janela do apartmento dos nossos amigos no andar 52 da Millenium Tower, onde nos hospedamos, avistávamos o esplendor futurista da Sheikh Zayed Road cortando Dubai de Leste a Oeste a 1km da praia. O prédio, um dos 10 maiores edifícios residenciais do planeta, tem janelas que não abrem para otimizar o funcionamento do ar condicionado.

Millenium Tower @ Sheikh Zayed Road, Dubai

Millenium Tower @ Sheikh Zayed Road, Dubai

Dubai é uma loucura. Um sonho megalomaníaco que desafia a imaginação de alguém nascido ainda no terceiro quarto do século XX. A metrópole, que nada mais era que um vilarejo com um punhado de beduínos mercadores 15 anos atrás, e que a passo de bala se consolida como a capital do Oriente Médio, se constrói diante dos nossos olhos.

Torres gigantescas – com apartamentos, escritórios, hotéis e shopping centers – pipocam aqui e acolá num piscar de olhos. Ilhas artificiais se erguem do chão oferecendo priais particulares para os mais abastados. Idéias malucas, como o hotel debaixo d’água, o prédio de 170 andares, a torre cujos andares giram independentes, a pista de esqui na neve de verdade no meio do deserto mais quente do mundo, se tornam realidade e viram coisa corriqueira no dia-a-dia do cidadão. Nada parece impossível a este lugar, graças a um objetivo claro, à tolerância religiosa, à tecnologia de ponta, à mão-de-obra barata e aos infinitos dólares do petróleo.

Burj Dubai e seus 160+ andares

Burj Dubai e seus 160+ andares

Cidade em construção

Cidade em construção

Neve no deserto

Neve no deserto

As obras seguem, as gruas se amontoam, mas a locomoção ainda é difícil. As avenidas se alargaram, mas as alças de acesso que as farão se conectar ainda não ficaram prontas. O metrô, de superfície, se levanta ao lado da Sheikh Zayed e já no final desse ano vai levar passageiros de um extremo a outro da cidade em trens sem maquinista, com vagões exclusivos para as mulheres e (outros) para os obreiros indianos. Até lá, o carro é indispensável mesmo para se atravessar a rua.

Além da falta de transporte público, o calor úmido de 45 graus é o outro fator que proíbe as pessoas de ganhar as ruas. Em Dubai você sente uns 10 choques térmicos por dia, cada vez que abre a porta do carro ou de um prédio para o ar escaldante e pegajoso da rua. TODOS os dias faz sol, e imagino que quem nunca saiu daqui poucas vezes tenha visto uma nuvem.

Trecho da orla, sol todo dia

Trecho da orla, sol todo dia

Dubai é exatamente o avesso de Londres. Todos os aspectos da vida aqui são o contrário daqueles na capital da velha bretanha. Garoa intermitente x calor infernal. Longas caminhadas x dependência de carro. Tradição x modernindade audaciosa. Flats apertados x casarões vastos. Regras claras x “o céu é o limite”. Glórias passadas x promessas futuras. Realidade x fantasia.

Dubai tem uma sociedade com castas bem definidas. No topo, os “emiratis”, os habitantes locais donos da riqueza que está tornando realidade esse devaneio fantástico. É fácil indentificá-los pelo orgulho com que desfilam eu seus aventais brancos e turbantes amarrados à cabeça por um anel preto. Na base, hordas de indianos, paquistaneses e filipinos que, fugindo da miséria em seus países de origem, vireram carregar os tijolos e dirigir os táxis para levantar a cidade. Espremidos no meio, os expatriados europeus que entregam sua inteligência aos sheikhs para fazer crescer os prédios e diversificar os negócios, em troca da vida confortável num país sem impostos.

"Emirati" comprando no McDonald's

"Emirati" no McDonald's

Operarios na hora do recreio

Operarios na hora do recreio

Dubai é hoje o que foi Nova Iorque no início do século passado. Um lugar cuja ousadia e riqueza futilizam os superlativos e mostram a tendência para as grandes metrópoles do futuro. Para quem, como eu, vem de outro sonho feliz de cidade, fica a sensação de se estar num parque temático para adultos ricos. Mas talvez eu fosse achar a mesma coisa se tivesse assistido a construção do Empire State Building a 80 anos atrás.

Será que vale a comparação? O futuro dirá? Ou será Dubai já o futuro gritando para nós até que aprendamos a ouvir? Que aceitemos a nova ordem das coisas? Que percebamos que a tal “era da informação” pode já ter passado ou que talvez nem tenha ocorrido? A pujança dessa capital inventada pode ser talvez a grande negação do valor estratégico da “informação”, dada a sua rápida banalização. As economias que capitnearam a tecnologia digital estão em crise, vendo toda a sua riqueza se escorrer pelos dedos para parar nos bolsos dos mesmos sheikhs de sempre, para a construção de seus delírios de concreto. Dubai nos ensina que, novamente, quem está no topo da pirâmide é quem controla os recursos naturais.

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14 Respostas para “Dubai

  1. Fantástico, eu já tinha escutado essa história dos 45º de temperatura e pensei que era exagero, e dizem que por lá o melhor amigo do homem é o ar condicionado.

  2. De fato, Dubai é uma das coisas mais impressionantes que eu já vi na vida. Praticamente uma Disneylandia no meio do deserto. Pedreiros paquistaneses que consomem produtos ingleses, trabalhando para emirates na construcao de prédios habitados por pessoas de, pelo menos, 20 nacionalidades diferentes. É a tal da go-lo-ba-li-za-cao.

  3. Considerando que o preço do petróleo nunca mais vai baixar (eu disse nunca mais), Dubai veio para ficar. Dificilmente a recessão atingirá esse lugar. Existe a promessa de prosperidade e isso é um fato. Mas o lugar aparentemente inóspito e a sua cultura podem ser entraves. Sim, podemos suportar um calor de 45 graus. Basta não sair para a rua. Mas é um preço a pagar. Embora o país seja um dos menos rígidos da cultura islâmica, bem ou mal, é cultura islâmica, com gente comprando big mac de turbante. A se pensar.

  4. Concordo com o Roger. Parece realmente – e é – estarrecedor ao primeiro olhar, mas até que ponto podemos suportar o artificial, ainda que aparentemente perfeito? Perfeita a comparação com a Disneylândia. A maravilha existe porque está completamente ligada à fantasia, palavra também muito bem colocada no post. Não sei se pessoas como nós, reais, suportaríamos por muito tempo. Me parece o mundo mágico dos emiratis… Mas fiquei com muita vontade de conhecer. Deve ser louco mesmo – e sensacional – ver que o homem pode desafiar qualquer coisa e fazer nevar no deserto. Onde mais podemos chegar?!?!?! Meu Deus!!!

  5. Eu concordo com voces dois. E voces devem ter percebido que em nenhum lugar do meu texto eu estou elogiando Dubai. Alias acho que nao estou nem elogiando nem criticando, apenas apontando as diferencas. Dubai esta (bem) longe de ser perfeita, assim como Londres esta.

    De fato, os 45 graus do verao de Dubai voce evita ficando em casa. Assim como os 0 graus do inverno europeu, assim como os bandidos de SP. Todo lugar tem coisas insuportaveis. Todo lugar tem coisas maravilhosas.

    A questao que se pode colocar e: sera que nos somos “parte” de um lugar e “pertencemos” a uma determinada cultura? (Para que a cultura arabe de Dubai seja uma desvantagem), Ou sera que somos turistas nesse planeta, como tal devendo experimentar tantos lugares e culturas diferentes quanto pudermos?

  6. Olha, eu até entendo porque os emirates andam de camisolinha branca (é tradicional, é mais fresquinho, entra ventinho por baixo). Mas, assim como no Brasil e países europeus onde há liberdade para que todas as religioes sejam praticadas, em Dubai o Sheikh foi inteligente o suficiente para fazer com que a tolerancia religiosa seja uma realidade. O que atualmente diferencia a cultura “democrática ocidental” da cultura islamica é, principalmente, a tolerancia religiosa. Uma igreja católica no Ira? Nem pensar!!!

    Precisamos dar crédito a esses Sheikhs que, de maneira muito inteligente fizeram com que o mundo inteiro fosse para lá ajuda-los a construir Dubai. É a primeira vez que vimos um lugar a princípio árabe se comportando da maneira como nos comportamos em relacao a eles, respeitando a outras culturas e religioes e dando espaco para que todos convivam pacificamente juntos.

  7. Além do que, confesso que vejo (muito) mais pessoas de burka aqui do que vi em Dubai (e nao me surpreenderia se aqui existir mais mulcumanos – em numeros absolutos – do que lá).

    Em Londres as pessoas tem liberdade para ir de burka e turbante ao Mc Donalds. A se pensar.

  8. Gostei muito desse texto, e da descricao de Dubai, deve ser algo que nos deixa de boca aberta, uma verdadeira Disneylandia…..

    Tenho muita vontade de conhecer la, se Deus quiser quem sabe um dia….hehehehhe

    Fico pensando ate quando a gente consegue viver nesse artificialismo?????

    Eu gosto de por o pe na terra, ver plantinhas, deitar na rede, ver verde…..sera que eh possivel ai???? Existem lugares mais rurais??????

    Joao,

    Gostei muito dos seus textos sobre o Egito, e ia te perguntar se posso postar um deles no meu blog, e deixar o link para irem ao seu…….pense ai e depois me fale, ok?

    Sabe o que eu iria te pedir, um post como esse que vc acabou de fazer, mas falando de Dubai e Egito….pode ser?????

    Beijos e fiquem com Deus

  9. João, a questão que vc colocou é boa. Eu acho que nem somos parte de uma cultura nem somos turistas. O problema reside justamente aí. Em saber quem nós somos. Alguns de nós se adapta com facilidade a outras culturas. Outros não.
    Então a questão não é nem prós e contras das cidades, até porque Dubai, Londres e São Paulo são bem diferentes. Mas saber se estamos realmente preparados para isso.

  10. Tenho fascinascao por Dubai, espero um dia conhecer esse pais tao pequeno mas tao fascinante.
    E o predio mais alto do mundo ja esta pronto?
    Abracos

  11. Edila, o predio mais alto do mundo (o “Burj Dubai”, que aparece num das fotos acima) nao esta pronto ainda nao. Por isso mesmo nao da para saber o numero total de andares, parece que o pessoal faz um certo misterio…. As obras atrasaram esse ano, mas acho que durante o ano que vem ele fica pronto.

  12. Agora ja estou em dia com a leitura….hehehheh….volto depois…..vou visitar mais gente…..

    Beijos e fiquem com Deus

  13. olha gente eu estive em dubai ,neste mesmo prédio millenium tower ,onde fiquei por + ou-
    50 dias e o que vi é lindo mas sem vida, la
    não se anda na rua ,pois neste bairro onde fiquei
    não existe calçada para caminhar somente de carro . Vou voltar no ano que vem para conhecer o metro que vai inaugurar no dia 09/09/2009, ai talvez se possa ter outra idéia de Dubai, a querem saber fui na igreja católica
    la bem simples. bjs fiquem com DEUS

  14. Prezados,

    Este blog e ridiculo, mais parece uma carta de um menino de 15 enviada ao seu coleguinha de 15 anos tambem, escrita da disneylandia depois de ver o Pais das Maravilhas de ALICE.
    JC, VE SE CRESCE RAPAZ, SE QUER TER UM BLOG PARA, ADULTOS E INFORMAR COISAS ALEM DO OBVIO, VA ESTUDAR MAIS E SER MAIS PRECISO NAS SUAS INFO, TAO INFANTIS .

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