
O Almirante Isokoru Yamamoto é um mero figurante no romance “Memórias de uma Geisha” (Arthut Golden, 1997). Numa festa Kyoto, ele vence mais uma competição de bebidas, e diz que seria impossível ter perdido. Uma das Geishas o interpela: “Ah, convenhamos! Todo mundo perde vez ou outra! Até o senhor, Almirante!”. Ele responde “Concordo que todos percam de vez em quando. Mas eu, nunca”. Então lhe perguntam o segredo do sucesso.
“Nunca procuro derrotar o homem contra quem luto”, explica. “Procuro, sim, destruir sua auto-confiança. Uma mente perturbada não consegue o foco necessário para vencer. Dois homens têm a mesma força – de fato – apenas quando ambos têm a mesma segurança”.
O Almirante tem razão.
O sucesso e o fracasso vêm em espirais. Para vencer, você precisa de auto-confiança. Mas de onde vem a confiança? Exatamente das suas vitórias passadas. Porém, se você sofre uma derrota, você se contrai. Se apequena. Se pergunta porquês. Passa a duvidar de si mesmo. E chega para a próxima luta já derrotado.
Poucas tarefas são mais árduas que quebrar um ciclo de derrotas e dar a volta por cima. De onde tirar a força para acreditar que se pode vencer, depois de perder por vezes seguidas? E ainda, como minar a confiança do seu oponente? Como acreditar que dessa vez a vida finalmente vai lhe sorrir?
A maioria das pessoas desiste no meio do caminho. Aceitam a derrota como um fato da vida. Abandonam o ringue para não sofrer mais golpes. Levam a vida devagar, para não faltar amor*.
Para aqueles que continuam na luta, todo momento é uma chance de virar a mesa. De reverter o processo. De finalmente aprender o segredo da auto-confiança inabalável. De incorporar o Almirante Yamamoto.
Pois o caminho que conduz aos nossos sonhos é plano, limpo e iluminado; o difícil é percorrê-lo sem tropeçar nos próprios pés.



